Nesta obra mostra como alguns governantes segue a risca o manual de Nicolau Maquiavel.
Um dos principais temas apresentados por Maquiavel n' "O príncipe" é a separação entre Ética e Política. Daí talvez a razão do termo "maquiavélico" ter atingido hoje a presente conotação entre os não-especialistas.
Maquiavel não seu preocupa com o ser "bom", mas com o "parecer bom" e com aquilo que "funciona". De fato, quando investigando sobre se o príncipe deve cumprir seus compromissos e honrar suas palavras, ele afirma que
...um príncipe sagaz não deve cumprir seus compromissos, quando isso não estiver de acordo com seus interesses e quando as causas que o levaram a comprometer sua palavra não existam mais. (MAQUIAVEL, p. 173)
E ainda: "...é necessário que um príncipe saiba muito bem disfarçar sua índole e ser um grande hipócrita e dissimulador..." (p. 174), pois "...os seres humanos, de uma maneira geral, julgam mais pelo que vêem e ouvem do que pelo que sentem. Todos vêem o que pareces ser, mas poucos realmente sentem o que és." (Ibid., p. 176)
De fato, "...as pessoas comuns são sempre levadas pelas aparências e pelos resultados e é a massa vulgar que constitui o mundo." (Ibid., p. 176)
Assim, a sua obra, que às vezes nos lembra um "manual prático", é pautada por aquilo que objetivamente "funciona" para alcançar e manter o poder, no mundo como ele é agora, e não como "deveria ser".
Logo no início eles nos aconselha que "...os homens ou precisam ser adulados ou esmagados, pois se vingarão dos pequenos erros e não dos graves. O dano que causar a um homem deve ser tal que não preciseis temer sua vingança." (Ibid., p. 55)
Assim ele ensina sobre a crueldade. Ela pode ser bem aplicada ou mal aplicada, mas ambas "devem ser feitas todas de uma vez, pois, dessa forma, elas serão menos sentidas. Os benefícios, por outro lado, devem ser concedidos um de cada vez, pois assim serão melhor apreciados." (Ibid., p. 114). Na verdade, um príncipe "não deve se importar se o considerarem cruel quando, por causa disso, puder manter seus súditos unidos e leais." (Ibid., p. 164) É a polêmica questão se os fins justificam os meios.